Felizmente, tenho a sorte de ter nascido numa família de pescadores, pelo que, cá em casa, quando se come peixe, é à séria. Até pode ser mais caro, mas sabemos que estamos a consumir um produto de excelência. No entanto, em Portugal, o pescados que o comum dos mortais ingere vem, cada vez mais, do “aviário” e não do mar. Nos hipermercados, nos restaurantes, nas peixarias, é necessário estar atento, porque o sabor não é igual, e, o preço, supostamente, também não. Num destes dias, fui, em grupo, a um conhecido restaurante de grelhados da margem sul, em que, à porta, existe uma montra com óptimo aspecto, repleta por uma significativa variedade de peixe. “Quase todo de viveiro”, pensei. Na hora de pedir, optei por um prato de carne, e, os meus amigos, acabarem por escolher robalos e pregados, muito satisfeitos com o preço indicado no menu (cerca de doze euros por dose). Ainda estive para abrir a boca, mas não queria parecer a espertinha da companhia, pelo que os deixei comer, pagar, gabar o alegado “sabor a mar” dos robailnhos, e irem à vidinha deles. “Mas será que esta gente não estranhou o facto de o peixe ter todo o mesmo tamanho, como as maçãs do hipermercado?”, questionei-me. “E o preço? Queriam pagar faisão a preço de galinha? Por amor à Santa”. O facto é que não deram por nada. E o mais chocante é que o menu era omisso em relação à origem do produto. Não sei se é obrigatório por lei, mas devia. Seja como for, hoje em dia, uma vez que a aquacultura é uma industria em expansão, e inunda o mercado a preços, com os quais, a pesca profissional não consegue competir, a realidade é que, por ser mais barato, a maior parte dos consumidores acaba por comprar sem se questionar. Naturalmente que, a diferença, acaba por se reflectir na qualidade e no palato. Pessoalmente, apesar de existirem inúmeros argumentos contra, e a favor, deste tipo de industria, uma vez que conheço o verdadeiro sabor do cherne, da pescada, da dourada ou do robalo, continuo a preferir o peixe de mar, desde que proveniente de pesca sustentável. Porquê? Porque é impossível imitar o que a natureza faz, e os espécimes do tanque comem ração, e acabam por ter uma “carne” mole, pele com pouca cor, e um paladar menos intenso. Darwin tinha uma explicação para este fenómeno: “É a adaptação da espécie ao meio”. Naturalmente, tenho consciência de que, por uma questão de preservação do meio ambiente, o futuro alimentar da nossa espécie vai passar pelas soluções ditas de laboratório. No entanto, prefiro continuar a consumir o que de melhor o mar tem para oferecer, e é por isso, meus 5.75 leitores, para que, também, não sejam (muito) enganados, que partilho alguns pequenos truques no sentido de vos ajudar a destingir o peixe selvagem do de aquacultura:
1.Saber quais as espécies criadas em viveiro: Linguado, pregado, dourada, robalo, sargo, tainha, truta, e enguia, são as mais comummente produzidas no nosso país. Em relação ao salmão, é garantido que 99% é proveniente de viveiro, e importando da Noruega.
2. Distinguir as características morfológicas: Quando comparado com o de mar, o peixe de aquacultura tem uma pele baça, “carne” mais mole, dentes menos proeminentes, e olhos menos brilhantes. Por exemplo, no caso das douradas, a macha amarelada, junto à cabeça, é praticamente inexistente nos exemplares de viveiro.
3. Tamanho: Quando capturados no mar, apesar de obedecerem a um comprimento mínimo obrigatório, os espécimes possuem tamanhos diferentes. Já os de cativeiro, são calibrados para apresentar o mesmo peso, características, e dimensões.
4.Preço: Se o vendedor não for (muito) vigarista, o custo, por quilo, do peixe de viveiro, ronda os seis euros, e, no restaurante, aproximadamente, dez. No caso do de mar, o preço da dourada, do linguado, do pregado, ou do robalo, dependendo do tamanho, da altura do ano, e da frescura, varia entre os vinte e os trinta. Estão a ver a diferença?
Posto isto, meus 5.75 leitores, não só pelo sabor e a qualidade, mas, também, pela vossa carteira, não adquiram pescado de ânimo leve. Antes de abrir o cordão à bolsa, ponderem estes factores, e, só depois, decidam. Vão notar a diferença, até porque Portugal tem o melhor peixe selvagem do mundo. Palavra de #lobo.

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