Posto isto, e porque, mais do que nunca, é importante dar a conhecer, ao mundo, este incrível país, partilho, convosco, a experiência única que é voar numa companhia aérea birmanesa, neste caso em concreto, a Golden Myanmar Airlines.
A nossa experiência no Inle Lake, estava a ser absolutamente inacreditável, quando nos apercebemos que tinha chegado o momento de seguir viagem até Hpa-an, para descobrirmos os encantos do sul do país. Uma vez que ir de autocarro estava totalmente fora de questão, além das estradas perigosas, demoraríamos mais de 24 horas, optámos por voar do lago até Yangon, e, daí, seguir de bus, numa viagem que, em teoria, não deveria demorar mais do que sete horas.
Apesar de os bilhetes de avião não serem super baratos, cerca de cinquenta euros por pessoa, decidimos avançar, e, às oito em ponto, chegámos ao aeroporto. Confesso que, apesar da má fama de algumas companhias birmanesas, e de termos ouvido histórias um tanto assustadoras, nomeadamente a contada, em Mandalay, pelo espanhol Manuel, como narrei neste post, estávamos tranquilos e confiantes. 


O aeroporto que faz a ligação com o Inle Lake chama-se Heho, e não é mais do que um hangar doméstico com uns bancos corridos no interior e muito pouco confortável. O controle de segurança, efetuado por um funcionário que mal olhou para nós, é, também ele, inacreditável, já que não verificaram nada do que levávamos. “Espetacular”, pensei. “Pena não termos trazido a bomba atómica e as espadas de Samurai”. Ainda mal nos tínhamos sentado, já a luz do aeroporto se tinha desligado, e, foi, então, que a ficha caiu: “Se calhar, não foi boa ideia termos optado pelo avião”, comentei. Mas era tarde e já nada havia a fazer.
Ao nosso lado, felizes e contentes, um grupo de seniores alemães, cantava e ria, como se não fosse nada com eles. Aquela atitude, fascinou-me e comecei a reparar nos pormenores. Com uma média de idades de, seguramente, oitenta anos, deviam ser cerca de quinze e estavam acompanhados por vários guias e assistentes. A maior parte tinha dificuldade em deslocar-se e, dois ou três, usavam uma espécie de andarilho. “Que bosses. Mal se conseguem mexer, mas vieram viajar para a Birmânia. Vamos ser nós quando chegarmos a velhos, está decidido!!”, comentei com o meu marido. “Só nos falta arranjar um grupo de amigos com este espírito, e não demasiado xexés”.




Após mais quatro falhas de energia, e duas horas de atraso, o nosso avião lá chegou, e estávamos prontos a embarcar. Mais uma vez, desobedeci aos conselhos do meu pai, que sempre me disse: ” Filha, nunca viajes em nada com os hélices de fora”. “Se não tinha caído com o espanhol, também não ia cair connosco”, e lá fomos.
Escusado será dizer que o sistema de transporte das malas suscitou muitas dúvidas e tive algum receio que nos colocassem droga nas mochilas, ou que as mesmas nunca chegassem a Yangon. Mas, viajar no Myanmar, para além de uma experiência única, é, também, um ato de fé, pelo que não tivemos outro remédio que não acreditar.
A registar, à semelhança do que havíamos experienciado no autocarro, como narrei neste post, o serviço de bordo incrível, com assistentes maravilhosas, e comida deliciosa, de fazer chorar os trens de aterragem da TAP.
Foi num misto de tristeza, por abandonarmos o Lago, e expectativa, por continuarmos a descobrir o inacreditável Myanmar, que levantámos voo para Yangon, na esperança de encontrarmos um autocarro aleatório que nos levasse até Hpa-an. A nosso missão era, agora, descobrir os encantos do sul do país e da cidade que inspirou o famoso escritor britânico George Orwell nos seus “Burmese Days”: Moulmein. (Não fujam: To be continued).




Crónicas do Myanmar: Uma aula de culinária birmanesa no Inle Lake
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]]>Após uma árdua pesquisa no Tripadvisor, concluí que a melhor opção seria escolhermos a Bamboo Delight Cooking School em Nyaung Shwe, no Inle LaKe. De facto, e como referi na ultima crónica, a visita ao lago estava a ser incrível e super intensa, e, nada melhor para terminar em grande, do que uma boa refeição de comida birmanesa, confecionada por nós próprios. A aula estava marcada para as seis da tarde, e deveria ter uma duração de três horas. Chegámos mesmo em cima do tempo, sob uma chuva torrencial. “Eu devia estar louco quando concordei com esta ideia. Aliás, nem me lembro de termos falado sobre isto”, dizia-me o Luis, meio aborrecido porque detesta cozinhar. “Não estavas louco mas estavas a ver Netflix. Lembro-me perfeitamente de teres anuído com um gesto”, repliquei.
À porta do restaurante, já Leslie, o proprietário, esperava por nós com um aceno e um sorriso rasgado. Estávamos no inicio de Novembro, no final da época baixa, pelo que não haviam muitos turistas, e seriamos só nós e um casal alemão, mega simpático, o Mathias e a Hanna, a participar na sessão. 



Para começar, cada um tinha que escolher, dentro das opções disponíveis, quais as receitas que preferia aprender. Assim, o meu amor cozinhou caril de camarão e salada de papaia verde, eu fiz frango com erva príncipe e leite de coco, assim como a clássica salada de chá verde, cuja receita já partilhei aqui e os nossos colegas prepararam salada de flor de bananeira, caril de abóbora, dumplings de arroz de cebola e erva príncipe, e tofu de grão. Tudo absolutamente delicioso.
No decorrer da aula, descobrimos que o nosso anfitrião tinha estudado, até à idade adulta, num mosteiro, onde aprendeu as artes da cozinha. A sua paixão pela culinária, tinha-o levado a inaugurar, em 2013, conjuntamente com a esposa, Sue, o restaurante-escola, tendo recebido, desde então, turistas do mundo inteiro. Com um forte cariz comunitário, 15% dos ganhos eram investidos na educação das crianças locais, os estrangeiros eram convidados a fazer voluntariado, dando aulas de inglês nas escolas do lago. “A isto se chama verdadeiro turismo sustentável”, pensei, feliz, com a escolha.




Outro aspeto super interessante, foi a verdadeira lição sobre cozinha sustentável, na ótica da utilização dos produtos locais e do correto uso de especiarias, e da própria história, e origem, dos ingredientes. Aprendi ensinamentos preciosos que vou, ao longo das próximas semanas, partilhar, convosco, aqui no blog.
Fiquei, genuinamente, com pena por não conseguir, em casa, cozinhar num fogão a carvão ou em frigideiras de metal com a qualidade das que o Leslie tinha, porque fazem muita diferença no sabor dos alimentos. No final, ofereceu-nos sementes de manjericão asiático, mais roxo e aromatizado que o nosso, e deu-nos dicas incríveis sobre como comprar determinados produtos no mercado, e qual o justo preço a pagar pelos mesmos. A aula foi tão enriquecedora que, às tantas, até o meu Amor, estava, genuinamente, a divertir-se.
As três horas passaram a voar, e em menos de nada, tivemos que voltar ao alojamento para arrumar as malas, já que, no dia seguinte, voaríamos de volta para a capital, Yangon, e, daí, para sul. A viagem ainda não ia a meio e eu já não me queria ir embora. O Myanmar estava a superar toda e qualquer expetativa, e o melhor ainda estava para vir. (Não fujam: To be continued).








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De acordo com dados governamentais, existem 135 etnias no país, de que, sem sombra de dúvida, os Padaung ou Kayan Lahwi, de ondem provêm as famosas “mulheres girafa”, são uma mais conhecidas, pelo que, quando, durante a visita ao Inle Lake, nos levaram a vê-las, não fiquei, propriamente, surpreendida.
Originárias das montanhas do sudoeste do país, usam, desde tenra idade, anéis de bronze no pescoço, que se acreditam estarem associados à beleza feminina. Assim, quantos mais uma mulher tiver, mais bela será. Ao contrário do que se pensa, se os tirarem não morrem, mas a musculatura do pescoço fica enfraquecida. Pelo que percebi, costumam dedicar-se à tecelagem, e é comum vê-las em mercados e lojas da região.




Supostamente, o local onde as vimos, tem por objetivo valorizar a herança cultural desta etnia, contornando a exploração turística gratuita. Se, por um lado, não cobravam bilhete ou pediam dinheiro, por outro, era uma espécie de loja que vendia artesanato, onde o preço dos artigos estava super inflacionado.
Devo confessar que me senti super incomodada, sobretudo quando vi uma criança, pelo que não gastámos um único cêntimo. De acordo com a tradição, os anéis começam a ser usados aos nove anos e, com vinte e cinco, o pescoço adquire a forma final, sendo retirados, apenas, à noite, para dormir.
Descendendo, diretamente, de famílias com ascendência tibetano – birmanesa, com a guerra civil, durante as décadas de 80 e 90 do século XX, muitas Padaung fugiram para a fronteira com a Tailândia, tendo-se, nos campos de refugiados, tornado uma atração pelo seu aspeto exótico.
Apesar de muito comuns nos locais mais turísticos do Myanmar, como Bagan ou o próprio lago, para quem quer emergir nesta cultura, o ideal é visitar o estado Kayah, nomeadamente a capital Loikaw, onde vivem mais de vinte mil pessoas. Basta consultar o guia do viajante para esta região.
Apesar de não termos tido oportunidade, que é como quem diz: tempo, para visitar a cidade natal das Padaung, confesso que fiquei fascinada com estas mulheres, e com uma enorme vontade de descobrir mais sobre a sua cultura. Ainda tentei comunicar, mas infelizmente, não falavam inglês. Sem perceber como, o nosso tempo tinha chegado ao fim, e, num ápice, tivemos que sair, porque o dia já ia a meio e ainda havia muito lago para visitar.
(Não fujam: To be continued).




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Tal como referi na crónica anterior, depois de dois dias a caminhar pelas montanhas, e de uma noite sem dormir, chegámos ao Inle Lake, felizes, mas absolutamente exaustos e cheios de vontade de apreciar um jantar tranquilo e, quiçá, romântico. Após uma breve busca no Tripadvisor optámos por experimentar o restaurante mais pontuado de Nyaung Shwe, a “capital” do lago, e cidade onde ficámos: O Innlay Hut Indian Food House, cujo proprietário se intitula, nada mais, nada menos, do que Stan, o maior fã do famoso rapper Eminem. 


Limpo, bem localizado, e com um ambiente super descontraído e acolhedor, o espaço encontra-se pautado pela decoração dedicada ao Eminem e a Detroit, servindo, sem sombra de dúvidas, alguns dos melhores pratos indianos que experimentámos em todo o Myanmar. Logo no primeiro “embate” com Stan, fomos informados que a pass do wifi era o 313 e que, aquele, era o universo do “Slim Shady”, uma espécie de Detroit asiática, onde o Trump era profundamente odiado. “Perfeito”, pensei. “Não podíamos ter escolhido melhor. Dane-se o romantismo.
Show off e exibicionismos à parte, após dois dedos de conversa, descobrimos parte da história por detrás daquele incrível local: O avô de Stan era um soldado nepalês que serviu, durante a II Guerra Mundial, no exército inglês e foi enviado para Burma, onde se apaixonou, e casou, com uma rapariga local. Tiveram um filho, que acabou por morrer de overdose de heroína quando o nosso “Slim Shady” tinha, apenas, dois meses. Sem recursos, a mãe enviou-o para Mandalay, onde foi criado com uma tia. Após concluir o secundário, emigrou para a Tailândia, onde arranjou trabalho como lavador de pratos num restaurante indiano. Ao entender o gosto dos turistas, decidiu pedir um empréstimo no valor de mil dólares, e voltar para a sua cidade natal, onde, conjuntamente com a mãe, abriu, em 2015, o Innlay Hut Indian Food House, que tem, desde então, estado no topo do Tripadvisor. 


Após alguma indecisão, optámos por pedir a famosa “butter chicken” (galinha com manteiga) e um caril de frango, acompanhado pelo clássico nan (pão) e dois lassis, bebida feita à base de iogurte de leite de búfalo, numa das melhores refeições que tivemos em toda a viagem. Uma vez que não tinham chegado mais clientes, foi possível conhecer, e congratular, Malar, a cozinheira e mãe de Stan, e ouvir um pouco sobre a sua paixão por Eminem, onde não faltam as tatuagens temáticas que incluem o nome dos álbuns e do filme sobre a vida do rapper, “8 Mile”.
Pelo meio, acabou por revelar que planeia, num futuro próximo, abrir mais dois restaurantes na cidade: “Detroit City” and “Mom’s Spaghetti.” Claro que, com a pandemia, e a ausência de turistas, neste momento, o sonho foi adiado (digo eu).
Uma vez que as paredes se encontravam decoradas com bandeiras de vários países, incluindo o nosso, a meio da conversa, testámos os conhecimentos do nosso anfitrião sobre Portugal e, escusado será dizer, que não sabia muito mas conhecia o Cristiano Ronaldo. Clássico. No fim, pagámos seis euros pelos dois, e não resisti em tirar a selfie da praxe com o Stan. Apesar de ter ficado horrível, salvou-se um momento único, e inesquecível, do qual, ainda hoje, falamos com saudade e um sorriso nos lábios.
Ainda não eram nove da noite, e já estávamos de volta à guest house, prontos para, no dia seguinte, acordar cedo e, aí sim, iniciar a descoberta do incrível Inle Lake. (Não fujam: To be continued).




Crédito da foto de destaque: Jeremy Burns
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]]>Crónicas do Myanmar: O trilho da montanha até ao Inle Lake – Parte II

Assim, às oito em ponto, o nosso motorista estava à porta do hotel. Após uma curta negociação em relação ao itinerário, a primeira paragem aconteceu no Mahamuni Buddha Temple, o templo mais famoso da cidade e um dos maiores centros de peregrinação de todo o Myanmar. Construído no ano de 1785, tem como principal ponto de atracão uma magnífica escultura de Buda, a qual, de acordo com a tradição, é uma das únicas cinco imagens realizadas durante a vida do próprio Sidarta Gautama, representado, na perfeição, a sua fisionomia. Com cerca de 2500 anos de existência, é feita em bronze, pesando mais de 6,5 toneladas. Diariamente, centenas de crentes, do género masculino, já as mulheres não se podem aproximar, cobrem-na com pequenas folhas de ouro, vendidas dentro do templo, o que originou um aumento, em cerca de seis vezes, do volume da escultura em relação ao tamanho original. Impressionante. No exterior, o processo pode ser acompanhado, em tempo real, através de um ecrã, onde se junta a ala feminina para rezar. Uma vez que tivemos a sorte de apanhar as festividades do Thadingyut, último dia do calendário budista, assistimos ao auge das celebrações, com procissões e outras manifestações religiosas.
Mahamuni Buddha Temple – Informações Úteis:
Morada: Amarapura, Mandalay, Myanmmar
Website: Tripadvisor
Horário: 04:30 – 21.00h.
Preço da entrada: 3 euros (5000 Kyats)





Em seguida, rumámos ao Mahagandayon Monastery, um dos maiores mosteiro do Myanmmar, onde estudam mais de dois mil monges, que, todos os dias, pontualmente às dez da manhã, recebem ofertas das centenas de turistas e de devotos que os visitam. Organizados em fila indiana, numa espécie de desfile acompanhado pelo toque de tambores, os pequenos monges, após encherem as taças, dirigem-se ao almoço colectivo, que é outra das grandes atracções do espaço. Confesso que, apesar de ter gostado, já que foi a primeira vez que vi tantos budistas juntos, achei demasiado turístico. No entanto, valeu a pena, sobretudo pela cor e agitação da cerimónia. Outro dado curioso, e de que nos apercebemos, com dificuldade, através do inglês pouco fluído do nosso motorista é que o Myanmar é o país do mundo com a maior proporção de monges por habitante, sendo, estes, elementos importantes, e venerados, da sociedade. Uma vez que a taxa de pobreza é elevada, muitas famílias enviam os seus filhos para a vida religiosa para ter acesso a uma educação gratuita, podendo voltar à sociedade civil após concluírem os estudos.
Mahagandayon Monastery – Informações Úteis:
Morada: Bahan Rd, Yangon, Myanmar
Website: Tripadvisor
Horário: 10.00h
Preço da entrada: Gratuita 


Mesmo apesar de termos implorado para evitar a tour turística, caímos na ratoeira de visitar a oficina Aung Nan Myanmar Handicrafts. Trabalho na madeira, tapeçaria, tecelagem, calhou-nos de tudo. E, a muito custo, lá evitámos a parte da fundição de ouro e da ourivesaria, porque nos chateámos à séria. Enfim, com tanto templo bonito para ver na cidade do Kipling, só nos falava a armadilha mais velha do mundo A “tour” durou, praticamente, o resto da manhã e, por quase uma hora, lá andámos entre uma oficina e outra, a observar a perícia dos artesãos que é, verdadeiramente, incrível, e verdadeiramente tocante, já que as pessoas são mega simpáticas e fazem questão de tentar explicar, com orgulho, os pormenores do seu trabalho. Esta verdadeira visita guiada, culminou , como seria de esperar, na loja, que vendia artigos a preços absolutamente inflacionados. Só para terem uma pequena ideia, uma máscara, em madeira, de Buda, que se compra, facilmente, no mercado por trinta ou quarenta euros, custava 500 dólares. Nem em Paris. Ainda assim, vimos turistas americanos a comprar como se fossem pãozinhos quentes. Espectacular. Questionei-me sobre quanto ganharia o artesão que a produziu? 5 euros? Não me importo de pagar um pouco mais, mas não admito ser roubada ou distribuir o dinheiro por quem menos precisa, pelo que saímos sem comprar absolutamente nada e super indignados com o nosso motorista. Mas, é a lei de Murphy. Na realidade, éramos turistas que acabaram por fazer coisas para turistas. E, sim, era mais do que óbvio que o nosso guia estava à espera da sua percentagem, caso caíssemos no barrete. Esquemas. No entanto, devia ser um local realmente conhecido, já que estava repleto de fotos da visita de famosos, como o Dalai Lama, a presidente Aung San Suu Kyi, a Merkle, ou o Obama. Só faltava a do Marcelo. Terminado o tour,e já a desfalecer de fome, lá imploramos para sair dali, e encontrar um restaurante que não fosse mais uma “tourist trap”. ( Não fujam: To be continued)
Aung Nan Myanmar Handicrafts– Informações Úteis:
Morada: Warehouse, Pyitawthar Quarter, Chanmyathazi Township, Mandalay Myanmar
Website: Site Oficial
Horário: Não indicado.
Preço da entrada: Gratuita










Viaje comigo pelo Myanmar:
Irrawaddy: Um rio de Bagan para Mandalay
Bangan e os seus inacreditáveis três mil templos
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Juntámos as férias, calculámos os gastos, pusemos o pé à estrada (nesta caso, ao aeroporto), tendo sido, estes, os principais motivos que nos levaram a percorrer mais de vinte e cinco mil quilómetros, fazer onze vôos, e rumar a um dos paraísos mais bem guardados da Ásia:
1. As Pessoas: Após mais de uma década de viagens pela Ásia, tenho a dizer-vos que os habitantes do Myanmar são os mais simpáticos, afáveis, hospitaleiros, e genuínos de todo o continente. Ok, sei que não conheço todos os países da região, mas conseguem ser, ainda, mais amáveis do que os singaleses, o que não é tarefa fácil.
2. O Gosto pelo Desconhecido: Tendo estado mais de cinco décadas sob o jugo de uma ditadura militar, o Myanmar permaneceu, até há bem pouco tempo, fechado ao exterior, o que faz com que seja um local pouco explorado, possuindo milhares de segredos por desvendar.
3. A autenticidade: Até 2011, raros eram os viajantes que se atreviam a visitar a Birmânia, pelo que, felizmente, o país mantém a autenticidade, não tendo sofrido os efeitos nefastos do excesso de turismo, como, por exemplo, a Tailândia. As notícias da comunicação social, são, também elas, pouco apelativas aos viajantes, pelo que recebe cerca de um milhão de estrangeiros por ano, o que, para um país com 53 milhões de habitantes, é uma percentagem muito baixa.
4. A Cultura: Os templos e as celebrações budistas são dois factores incontornáveis de qualquer viagem ao Myanmar. Bagan com as suas mais de três mil Payas, a impressionante pagoda de Shwedagon, na capital, Yangon, bem como os budas de Mandalay, são pontos de paragem obrigatória.

5. O preço: Feliz, ou infelizmente, o custo de vida em Burma é muito baixo, quando comparado com a média europeia, o que faz, deste, um destino muito económico para quem queira fazer uma viagem de longo curso. Para terem uma ideia, uma refeição na rua não costuma ultrapassar um euro, e dez quilómetros de táxi fazem-se por cerca de três.
6. A Beleza das paisagens: Visitar o país, sobretudo em Outubro, no fim da estação das chuvas, é uma experiência de cortar a respiração, uma vez que os campos estão verdes e a água corre, abundantemente, nos rios. O percurso entre Kalaw, no estado Shan, e o lago Inle, pela floresta e os campos cultivados, é algo de espectacular. Também as viagens de autocarro e de comboio são incríveis, já que as paisagens são lindíssimas e fazem com que as horas não custem a passar.
7. Praias incríveis: O arquipélago Myeik, ou as praias de Ngapali são paraísos (quase) desertos, onde é possível descansar, mergulhar nas águas cristalinas dos recifes de coral, e passear por dezenas de quilómetros de areia, sem ver ninguém, daí o Myanmar ser considerando um dos últimos paraísos “perdidos” da Ásia.

Por estes motivos, escusado será dizer que, nos próximos dias, vos vou contar tudo sobre as minhas férias na Birmânia, com informações e dicas úteis, incluindo custos e sugestões de itinerários, caso queiram visitar este país absolutamente mágico.
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A alguma distância do recinto, já se viam centenas de motas estacionadas, envoltas numa nuvem de pó. Confesso que nunca tinha visto tantas duas rodas juntas. O bilhete, no valor de trinta euros, deu direito a parque de campismo, uma t-shirt, uma caneca em metal para evitar o plástico, ao bordado oficial, ao pin comemorativo dos 25 anos da concentração, à entrada em todos os espectáculos, e a um rolo de papel higiénico, bem de primeiríssima necessidade (literalmente). Com quarenta graus à sombra (acho que nunca suei tanto em toda a minha vida), não resistimos em montar, rapidamente, o arraial e mergulhar na fantástica praia fluvial do rio Ceira. Para além da beleza incrível do local, que, felizmente, não foi afectado pelos incêndios do ano passado, o ambiente da concentração é incrível, uma vez que os participantes são bem dispostos, educados, e com aquele ar de quem só está ali para se divertir.



Confesso que não fui Góis de animo leve. Por tudo o que havia ouvido sobre a concentração de Faro, tive algum receio que o evento estivesse organizado especialmente para motards de Harley Davidson e barba grande, interessados, apenas, no concurso da miss t-shirt molhada. Não podia estar mais enganada. Este é um evento organizado especialmente para os amantes e simpatizantes de duas rodas, ideal para todas as idades. Novos, velhos, com mota ou sem mota. O recinto está pensado para que todos se possam divertir e usufruir de um ambiente único. 


Para além dos tradicionais “comes e bebes”, existe uma zona de feira onde é possível comprar não só equipamento motard, mas, também, artesanato. É nestes momentos que agradeço a Deus o facto de morar numa casa pequena, o que me acalma a fúria consumista, e impede de comprar um monte de tralha desnecessária, mas, contudo, com bom aspecto. Outro factor importante na concentração são os espectáculos. O programa deste ano era composto por nomes sonantes, escolhido para agradar a diferentes tipos de público, como Quim Barreiros, Simone de Oliveira, Alphaville, ou os Gipsy Kings. Leram bem, meus caros. Os Gipsy estão vivos, de saúde, com um som impecável, e eu, que tanto gramei com eles nos casamentos dos anos 80 e 90, tive oportunidade de os ver ao vivo. Mas que festa. Só pelo concerto, já valeu a pena a viagem. A noite foi, também, animada pelo Bike Show, que permitiu vislumbrar exemplares únicos. 
Nos seus vinte e cinco anos, a Concentração Motard de Góis, recebeu mais de quarenta mil pessoas, e doze mil motas, tendo os participantes consumido quarenta e cinco mil litros de cerveja. Estava calor e a malta com sede. A solidariedade não foi esquecida, tendo a organização doado dez mil euros aos Bombeiros Voluntários da vila, para aquisição de uma nova viatura de combate. Pelo ambiente incrível e segurança do evento, esta é a concentração ideal para ir sozinho ou em família, uma vez que existem tantas actividades, que acabam por agradar a toda a gente. Pessoalmente, apenas posso dizer que adorei a experiência, e, apesar de ser apenas “motard” de fim de semana, conto, no próximo ano, marcar presença nesta grande festa, e parar ao Km 271. Obrigada Góis. Até já.






Rodeada por um bosque lindissimo, encontra-se galardoada, há mais de uma década, com bandeira azul, possuindo o certificado de qualidade de ouro, atribuído pela Quercus. Toda a envolvente encontra-se particularmente limpa, dispondo de vigilância, cadeira especial para que os visitantes com mobilidade reduzida possam ir a banhos, piscina para crianças, parque de merendas, e balneários de apoio. O relvado enorme, sempre impecável, possui inúmeras sombras, sendo o local perfeito para estender a toalha, e passar horas a usufruir da paz e da boa arte de não fazer nenhum. Mesmo apesar, de, em 2017, ter ficado rodeada pelo fogo, continua envolta num cenário particularmente idílico, em perfeita harmonia com a natureza, sendo, por este motivo, considerada uma das mais belas do país. 

Depois de mais de 150 quilómetros de mota com um sol abrasador, este pequeno Éden, fez as nossas delícias. Para além do banho nas águas límpidas, usufruímos da belíssima esplanada do restaurante, que serve umas moelas deliciosas, dignas de registo. Se são fãs de praia, mas odeiam as filas e a confusão da Costa da Caparica e do Algarve, visitem este pequeno paraíso, acessível a toda a família, e perfeito para crianças, sendo, esta, uma excelente oportunidade para explorarem a região centro, nomeadamente o circuito das Aldeias de Xisto. Vão adorar. Palavra de #lobo.
Informações Úteis:
Morada: Estradão Praia Fluvial | Ponte Asseiceira – Carvoeiro, Mação
Coordenadas GPS: 39°37’47.0″N 7°55’22.9″W
Website: Tripadvisor


