Experiências – Lobo na Porta – Food & Travel http://lobonaporta.pt Wed, 14 Jul 2021 21:01:45 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.9.18 Vídeo |Myanmar Food & Travel: Food Tour pelos mercados de Yangon http://lobonaporta.pt/video-myanmar-food-travel-food-tour-pelos-mercados-de-yangon/ http://lobonaporta.pt/video-myanmar-food-travel-food-tour-pelos-mercados-de-yangon/#respond Tue, 09 Mar 2021 11:38:13 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=6427 Venha conhecer Yangon, a mágica antiga capital do Myanmar. Crónica  Aqui.

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Ovos |Sabe, realmente, o que está a comprar? Aprenda a ler o código http://lobonaporta.pt/ovos-sabe-realmente-o-que-esta-a-comprar-aprenda-a-ler-o-codigo/ http://lobonaporta.pt/ovos-sabe-realmente-o-que-esta-a-comprar-aprenda-a-ler-o-codigo/#respond Tue, 02 Mar 2021 11:53:23 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=6395 Caros 5.75 leitores, como sabem, adoro ovos. Das melhores coisas que me podem dar, na vida, é um ovo estrelado acompanhado por uma fatia de pão cozido a lenha. Simplesmente divinal. Por isso, é um alimento que nunca falta no meu frigorifico. 

No entanto, tal como em tudo na vida, existem inúmeras questões éticas, e ambientais, associadas à compra de ovos, daí ser fundamental estarmos informados quando os adquirimos para não sermos enganados e agirmos em consciência.

Passo a explicar: Apesar de a maior parte das pessoas não prestar atenção à informação disponibilizada pelo produtor, é fundamental aprendermos a descodificá-la. Assim, de acordo com este artigo da Deco,  o primeiro digito marcado no ovo indica a qualidade e o tipo de produção por ordem decrescente:

0 – Produção Biológica

1 – Produção ao ar livre

2 – Produção no solo

3 – Produção em gaiola

Citando, textualmente, o referido artigo:

  • “0 – Modo de produção biológica: são ovos provenientes de galinhas criadas de forma biológica, ou seja, em que 80% do seu alimento deve ser de origem biológica. O produtor deve assegurar que cada ave tem, pelo menos, 4 m2 de espaço ao ar livre. No interior, cada pavilhão pode conter no máximo três mil animais e não pode ter mais de seis galinhas por metro quadrado”. (Nesta categoria incluem-se os famosos ovos matinados).
  • 1 – “Ovo de galinha criada “ao ar livre”: neste caso, os pavilhões são idênticos aos das galinhas criadas no solo, mas as aves devem ter acesso contínuo a espaços ao ar livre durante o dia (o que não impede o produtor de limitar a um período de horas matinais). O terreno a que as galinhas têm acesso deve estar essencialmente coberto de vegetação, onde cada animal tem direito a, pelo menos, 2,5 m2 de espaço.
  • 2 – Ovo de galinha criada no solo: as galinhas vivem em pavilhões fechados, onde se podem mover mais ou menos livremente. A densidade animal não deve ser superior a nove galinhas por m2. A superfície de cama de galinha deve ocupar, pelo menos, um terço do chão do aviário. Devem existir manjedouras e bebedouros em locais separados. Tirando a superfície de cama, o chão é constituído por grelhas para onde vão os excrementos. Os pavilhões dispõem de ninhos e poleiros.
  • 3 – Ovo de galinha criada em gaiola: são os ovos mais comuns. As galinhas estão confinadas a espaços muito restritos. Tudo está mais ou menos automatizado: os ovos postos são diretamente recolhidos por tapetes rolantes, que também são usados para distribuir alimentos; os excrementos caem através das grelhas das jaulas e são libertados. Trata-se de um sistema higiénico e eficaz, com baixos custos de produção, mas que não tem em conta o bem-estar dos animais”.

Posto isto, meus 5.75 leitores, apesar de serem um pouco mais caros, vale a pena, por questões éticas e de saúde, investir nos ovos com o número zero, que são os produzidos de forma natural, os ditos “biológicos”. Pessoalmente, não quero carregar o peso de contribuir para que animais tenham o bico cortado e vivam nestas condições abjetas. Para além de muito mais saborosos, e nutritivos, na maior parte dos casos, até nem gasto mais em relação aos (teoricamente) mais baratos, uma vez que aproveito as promoções, e os talões de desconto, para comprar em quantidade, já que os ovos têm um prazo de validade de cerca de 28 dias, o que é imenso tempo.

Se, tal como eu, adoram este alimento, pensem nesta mudança porque vão notar (muita) diferença. Palavra de #lobo. 

Imagem: Wiki

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Crónicas do Myanmar: Uma aula de culinária birmanesa no Inle Lake http://lobonaporta.pt/cronicas-do-myanmar-uma-aula-de-culinaria-birmanesa-no-inle-lake/ http://lobonaporta.pt/cronicas-do-myanmar-uma-aula-de-culinaria-birmanesa-no-inle-lake/#respond Thu, 07 Jan 2021 16:19:25 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=6153 Caros 5.75 leitores, quando viajo, não procuro carimbos para o passaporte, mas, sim, boas experiências que me façam, por algum tempo, abstrair dos pequenos dramas do dia a dia. Por isso, quando planeámos o Myanmar, achei por bem, alegadamente um tanto ou quanto à revelia do meu Amor, incluir uma atividade que, há muito, queria experimentar: Um workshop de culinária fora do país. 

Após uma árdua pesquisa no Tripadvisor, concluí que a melhor opção seria escolhermos a Bamboo Delight Cooking School em Nyaung Shwe, no Inle LaKe. De facto, e como referi na ultima crónica, a visita ao lago estava a ser incrível e super intensa, e, nada melhor para terminar em grande, do que uma boa refeição de comida birmanesa, confecionada por nós próprios. A aula estava marcada para as seis da tarde, e deveria ter uma duração de três horas. Chegámos mesmo em cima do tempo, sob uma chuva torrencial. “Eu devia estar louco quando concordei com esta ideia. Aliás, nem me lembro de termos falado sobre isto”, dizia-me o Luis, meio aborrecido porque detesta cozinhar. “Não estavas louco mas estavas a ver Netflix. Lembro-me perfeitamente de teres anuído com um gesto”, repliquei. 

À porta do restaurante, já Leslie, o proprietário, esperava por nós com um aceno e um sorriso rasgado. Estávamos no inicio de Novembro, no final da época baixa, pelo que não haviam muitos turistas, e seriamos só nós e um casal alemão, mega simpático, o Mathias e a Hanna, a participar na sessão. 

Para começar, cada um tinha que escolher, dentro das opções disponíveis, quais as receitas que preferia aprender. Assim, o meu amor cozinhou caril de camarão e salada de papaia verde, eu fiz frango com erva príncipe e leite de coco, assim como a clássica salada de chá verde, cuja receita já partilhei aqui e os nossos colegas prepararam salada de flor de bananeira, caril de abóbora, dumplings de arroz de cebola e erva príncipe, e tofu de grão. Tudo absolutamente delicioso. 

No decorrer da aula, descobrimos que o nosso anfitrião tinha estudado, até à idade adulta, num mosteiro, onde aprendeu as artes da cozinha. A sua paixão pela culinária, tinha-o levado a inaugurar, em 2013, conjuntamente com a esposa, Sue, o restaurante-escola, tendo recebido, desde então, turistas do mundo inteiro. Com um forte cariz comunitário, 15% dos ganhos eram investidos na educação das crianças locais, os estrangeiros eram convidados a fazer voluntariado, dando aulas de inglês nas escolas do lago. “A isto se chama verdadeiro turismo sustentável”, pensei, feliz, com a escolha.

Outro aspeto super interessante, foi a verdadeira lição sobre cozinha sustentável, na ótica da utilização dos produtos locais e do correto uso de especiarias, e da própria história, e origem, dos ingredientes. Aprendi ensinamentos preciosos que vou, ao longo das próximas semanas, partilhar, convosco, aqui no blog. 

Fiquei, genuinamente, com pena por não conseguir, em casa, cozinhar num fogão a carvão ou em frigideiras de metal com a qualidade das que o Leslie tinha, porque fazem muita diferença no sabor dos alimentos. No final, ofereceu-nos sementes de manjericão asiático, mais roxo e aromatizado que o nosso, e deu-nos dicas incríveis sobre como comprar determinados produtos no mercado, e qual o justo preço a pagar pelos mesmos. A aula foi tão enriquecedora que, às tantas, até o meu Amor, estava, genuinamente, a divertir-se. 

As três horas passaram a voar, e em menos de nada, tivemos que voltar ao alojamento para arrumar as malas, já que, no dia seguinte, voaríamos de volta para a capital, Yangon, e, daí, para sul. A viagem ainda não ia a meio e eu já não me queria ir embora. O Myanmar estava a superar toda e qualquer expetativa, e o melhor ainda estava para vir. (Não fujam: To be continued). 

Não perca a crónica anterior:

Crónicas do Myanmar: Descobrir o Inle Lake – Parte III

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Sete motivos para comprar pão artesanal (ao invés de no hipermercado) http://lobonaporta.pt/sete-motivos-para-comprar-pao-artesanal-ao-inves-de-no-hipermercado/ http://lobonaporta.pt/sete-motivos-para-comprar-pao-artesanal-ao-inves-de-no-hipermercado/#respond Wed, 16 Dec 2020 16:03:17 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=5936 Caros 5.75 leitores, como todos sabemos, o pão é, imemorialmente uma das grandes bases da alimentação humana. Acredita-se que o primeiro pão do mundo terá sido cozido, há mais de 14 mil anos, na Jordânia, três  milénios antes da prática da agricultura, pelo que foi produzido sem fermento, a partir de trigo selvagem. Desde então, esta forma de consumir cereais ter-se-á espalhado pelo mundo, sendo inúmeras as referências a este alimento, sobretudo em contextos religiosos e políticos, nomeadamente na bíblia ou no próprio Império romano, através da famosa frase “Pão e Circo”, não esquecendo a, ainda mais celebre, tirada “Não têm pão, comam brioche”, erroneamente atribuída a Maria Antonieta, e da verdadeira autoria de Maria Teresa da Espanha, a esposa de Luis XIV, o Rei Sol. 

O facto é que, se os primeiros pães eram cozidos sem fermentar, o fenómeno do crescimento da massa, quando guardada por mais tempo que o previsto, acabou por ser notado, tendo os nossos antepassados concluído que o resultado era um pão mais leve, saboroso e fácil de digerir, já que acabava por fermentar de forma natural.

No decorrer do século XIX, com a invenção do fermento químico, a partir das descobertas de Louis Pasteur sobre a fermentação, este processo acabou por ser democratizado, permitindo que qualquer pessoa tivesse acesso, de forma simplificada, a este complexo fenómeno químico, tornando o resultado final previsível, e sempre igual, o que permitiu a produção de pão em larga escala. 

Assim sendo, caríssimos 5.75 leitores, sempre a pensar na vossa saúde, e na vossa carteira, partilho sete motivos, pelo quais, devemos, sempre que possível, optar pelo pão artesanal ao invés do industrializado: 

1. 100 % Natural: O pão artesanal não possui químicos e fermenta de forma natural, através da chamada “massa madre”, que é, nada mais, nada menos, do que, como o próprio nome indica, massa de fornadas anteriores, onde estão presentes leveduras e bactérias  que produzem ácido lático e ácido acético, que dão mais sabor ao pão e melhoram a sua digestibilidade.

2. Maior Duração: Apesar de não ter familiares no campo, pelo que, em criança, nunca vi cozer pão, ainda sou do tempo em que a minha querida avó comprava um pão caseiro de quilo que dava para a semana toda, e ficava rijo, apenas, ao fim de vários dias, dado o elevado teor de ácido acético. Agora, quando compramos um pão no hipermercado, ganha bolor, muitas vezes, de um dia para o outro.

3. Benefícios para a saúde: Tal como referido, para além de uma melhor digestibilidade, os microrganismos, prebióticos e probióticos,  presentes na fermentação natural, são excelentes para a saúde intestinal,  favorendo o processo digestivo e a degradação do glúten, pelo que são mais indicados para pessoas sensíveis a este proteína.

 4. Poupança: Por possuir uma maior validade, o pão artesanal acaba por ser mais económico quando comparado com o industrializado. Ora vejamos o meu caso: Cá em casa, compramos, ao sábado, no mercado, um pão caseiro de quilo, que custa € 1,70 e aguenta sete dias sem ganhar bolor ou ficar rijo. Se fosse do hipermercado, muito provavelmente, teríamos que comprar duas ou três vezes mais, implicando um custo maior, para não falar da perda de tempo.

5. Sabor Único: Caros 5.75 leitores, nesta vida, há poucos prazeres comparáveis a uma fatia de pão caseiro, quentinho, a sair do forno a lenha, coberto por uma tonelada de manteiga de boa qualidade, a derreter. O pão industrializado, regra geral, não sabe a nada.

6. Apoiar a economia local e o ambiente: Quando optamos por comprar a pequenos produtores, ao invés das grandes cadeias de hipermercados, estamos a apoiar os pequenos produtores, contribuindo para a sustentabilidade da economia local e para uma melhor distribuição de riqueza. Por outro lado, quantas menos vezes tivermos necessidade de adquirir determinado produto, mais contribuímos para a redução de emissão de gases e outros poluentes. 

7. Promover a continuidade de uma tradição milenar: Pão saloio, pão caseiro, pão alentejano, pão de Mafra, são o mesmo nome para o pão que era, secularmente, cozido, pelo menos, uma vez por semana na maior parte das casas portuguesas, numa tradição que persistiu até há poucas décadas, e que se perdeu com as exigências do ritmo de vida “moderno”. Este conhecimento imemorial persiste, agora, nas mãos dos padeiros, e padeiras, que a perpetuam mas que, pela concorrência agressiva causada pelos baixos preços praticados pelas grandes superfícies, tendem a desaparecer. Assim, cabe a nós, 5.75 leitores, ao fazermos a opção de comprar nos mercados e nas padarias tradicionais, zelar para que esta tradição impar de sabor único, não se perca.

Nota: Se viverem na Margem Sul, adquiram o famoso pão da Azoia no Mercado Municipal de Sesimbra ou, ao fim de semana de manhã, na Moagem de Sampaio, também em Santana, Sesimbra. Vão adorar. Palavra de #lobo. 

Crédito da Foto: Food 52

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Sobre a carne de cão nos mercados da Ásia: Seriam capazes de provar? http://lobonaporta.pt/sobre-a-carne-de-cao-nos-mercados-da-asia-eram-capazes-de-provar/ http://lobonaporta.pt/sobre-a-carne-de-cao-nos-mercados-da-asia-eram-capazes-de-provar/#respond Thu, 10 Sep 2020 15:51:15 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=5767 Caros 5.75 leitores, como sabem, viajar pela Ásia , é um dos meus grandes hobbies, que acabei por ganhar, quase, quase, por acaso. O motivo deve-se, sobretudo, ao facto de gostar de viajar durante um mês inteiro, o que, por vezes, é difícil conciliar com a minha (outra) vida, onde o dinheiro não sai, propriamente, pela janela. Assim, pela segurança, pelo custo de vida, e pelos milhões de sítios incríveis que esta zona do globo tem para descobrir, nos últimos anos, o Oriente tem sido o meu destino de férias.

Para além dos insectos, uma das perguntas que mais me fazem é se vi carne de cão à venda nos mercados. E, até mesmo se experimentei, (humpf). De facto, mesmo apesar de já ter estado duas vezes na China, país famoso pelos festivais, onde os nossos melhores amigos terminam na grelha, nunca tinha visto, porque evitei, sempre, esse tipo de “espectáculo”. No entanto, na minha ultima viagem, no final de 2019, acabei por me deparar, em Sapa, nas montanhas do Vietname, com uma banca, num mercado local, onde se vendia carne de cão. Devo confessar que senti um misto de enjoo com repulsa. Contudo, há que, acima de tudo, tentar compreender os motivos culturais por detrás destes hábitos gastronómicos, ao invés de os julgar, por mais revolta que nos causem.

De facto, segundo evidências arqueológicas, esta espécie é consumida, pelo homem, no Oriente, há, pelo menos, 4500 anos, tendo sido encontrados ossos de cão cozinhados numa escavação no nordeste da Turquia. Contudo, nunca foi um consumo amplo, a nível mundial, já que, esta espécie, sempre teve funções de guarda, ou de pastoreio, vivendo em grande proximidade com as comunidades humanas, ao ponto de adquirir o estatuto de “animal de companhia”. 

Actualmente, um dos mais famosos festivais, do mundo, de carne de cão é o Yulin Dog Festival, que acontece, durante o mês de Junho, na China, país onde, anualmente, são sacrificados dez milhões de canídeos e quatro milhões de felinos para alimentação humana. Paralelamente, este hábito estende-se a outros países asiáticos como o Cambodja, o Vietname, a Coreia do Sul, a Mongólia, o Laos ou as Filipinas, onde esta proteína é considerada uma iguaria. Consumida, também, em África, nomeadamente em Marrocos, Moçambique, Mali ou Madagáscar, a carne de cão é, igualmente, legal em nações onde a legislação é omissa, de que podemos destacar o Haiti, Hondutas ou El Salvador, estimando-se que, anualmente, sejam mortos vinte e cinco milhões de animais em todo o mundo.

Para além da proteína a baixo custo, uma das crenças associadas a este consumo, sobretudo na China, onde faz, há mais de 2500 anos, parte dos hábitos gastronómicos da população, é a de que o possui propriedades medicinais, ajudando a aumentar, e a manter, a temperatura corporal durante os meses frios de Inverno. 

Felizmente, o papel das ONG tem sido, cada vez mais, activo no sentido de terminar com o uso dos nossos melhores amigos para alimentação humana, até porque, há tantas opções que se tornou, totalmente, desnecessário. Um dos sinais dos bons resultados desta luta é que, em julho deste ano, a província de Siem Reap, no Cambodja, onde se situa o famoso complexo arqueológico de Angkor Watt, o local mais visitado da Ásia, proibiu o sacrifico de cães. Aos poucos, as mentalidades vão evoluindo. 

A este propósito, e, antes de terminar o artigo, não posso deixar de partilhar, convosco, a seguinte história: Em Novembro do ano passado, quando visitámos o Laos, fizemos uma visita guiada pelos mercados de comida, e o nosso guia contou-nos, a propósito do consumo de carne de cão no país, que o mesmo só tinha começado há poucas décadas, quando o Vietname invadiu, no ano de 1958, o país, tendo sido os vietnamitas a introduzir este costume alimentar.

Não sei quanto o vocês, caros 5.75 leitores, mas, da minha parte, posso garantir que sou incapaz de tocar no bigode de um cão, que não seja para o espremer e dar beijinhos. Contudo, e por mais que me custe, respeito as tradições alheias, apesar de não as compreender ou aceitar. Neste sentido, partilho, convosco, as fotos que tirei em Sapa, da carne de cão no mercado de rua, deixando-vos a seguinte questão: “Por mera curiosidade, ou, até mesmo, por necessidade, seriam capazes de experimentar?

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Histórias de comida que nos provocam nojo #1: Myanmar, um cabelo na massa http://lobonaporta.pt/historias-de-comida-que-nos-provocam-nojo-1-myanmar-um-cabelo-na-massa-por-duas-vezes/ http://lobonaporta.pt/historias-de-comida-que-nos-provocam-nojo-1-myanmar-um-cabelo-na-massa-por-duas-vezes/#respond Sun, 27 Jan 2019 12:40:55 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=5222 Quem costuma frequentar blogs de viagens/culinária, termina a leitura a pensar que o mundo é um lugar fofinho, repleto de refeições deliciosas e cenários idílicos. O problema é que, às vezes, não é, e podemos ser confrontados com episódios terríveis e marcantes, que nos fazem, quase para o resto da vida, ter nojo e aversão a um determinado alimento. Por isso, meus 5.75 leitores, e porque a Internet não deve mostrar, apenas, o melhor deste planeta, vou partilhar convosco, ao longo das próximas semanas, algumas histórias de refeições que não correram nada bem, e que, ainda hoje, me fazem ter arrepios na espinha.

A última passou-se, há pouco mais de dois meses, na belíssima capital do Myanmar, Yangon . Quem acompanha o blog sabe que, recentemente, passámos um mês a viajar por este fantástico país, e que a famosa gastronomia birmanesa foi, como não podia deixar de ser, um ponto essencial do nosso percurso. Assim, percorremos, durante dois dias, alguns dos melhores restaurantes e mercados de rua da cidade. Para além de absolutamente deliciosos, os alimentos são fresquíssimos e as pessoas tão simpáticas, que não podemos deixar de experimentar tudo o que nos põe à frente.

Mesmo quando estávamos prestes a partir para Bagan, já na estação de autocarros, e porque a viagem ia durar mais de dez horas, decidimos comer uns noodles num dos milhentos vendedores de comida que percorrem os terminais da capital. Por cerca de quinze cêntimos de euro, tivemos direito a uma taça de massa, molho picante, e um caldo feito a partir dos cortes mais baratos do porco, como as orelhas, o rabo ou as patas. Quando provei, estava absolutamente delicioso, mas, à terceira colherada, vinham, nada mais nada menos, do que três cabelos gigantes. Só não vomitei por sorte. Fiquei branca, pálida, nauseada, e, pior: A ter que disfarçar, até porque ninguém gosta de viajar com gente histérica, e eu sou uma senhora já entradota nos trintas, que gosta de manter a postura. 

Ainda por cima, eram cabelos de mulher que, como podem ver pelas fotos, são super cumpridos. Pânico. Automaticamente deixei a comida de lado, com um sorriso amarelo, a explicar que estava tudo óptimo, mas que já não tinha fome.  Os vendedores estranharam, até porque o meu Amor já ia na segunda taça, e estava com ar de quem ia pedir a terceira. Enfim, teve mais sorte do que eu, e não apanhou “brinde”. Escusado será dizer, que, apesar de ter voltado há mais de dois meses, continuo a lutar contra o enorme nojo que os noodles provocam ao meu estômago. Ao ponto de ficar com náuseas, pois não consigo esquecer este episódio. Para ver se o consigo ultrapassar de uma vez por todos, vou reservar mesa no meu cantonês preferido, o Hong Kong Grande Palácio, e comer uns noodles que me façam realmente feliz. Depois, conto-vos no Instagram como correu.

Para não me chamarem Drama Queen, deixo-vos algumas imagens da estação de serviço e do cabelo das birmanesas, que é lindo e …. gigante. Alguns nunca viram uma tesoura. Agora, imaginem um destes no vosso prato. Espectacular, não é? Só a mim. 

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São capazes de comer insectos? http://lobonaporta.pt/sao-capazes-de-comer-insectos/ http://lobonaporta.pt/sao-capazes-de-comer-insectos/#comments Wed, 02 Jan 2019 17:19:10 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=4983 Todos sabemos que ingerir carne regularmente, e, até mesmo, peixe, vai, a médio/longo prazo, tornar-se insustentável para o nosso amado planeta. De facto, estudos recentes indicam que comer um quilo de vaca polui tanto como andar 150 Km de carro, e que o aquecimento global está à porta, pelo que, se não tomarmos medidas imediatas, corremos o risco de originar um colapso climático global.

Uma das alternativas proteicas que os cientistas estão a colocar em cima da mesa, é o consumo de insectos, nomeadamente de grilos, larvas, besouros, e, até mesmo, baratas. Naturalmente que, num primeiro momento, o sentimento de repulsa é transversal a todos nós, e, é por isso, que as marcas estão a investir em produtos fabricados a partir da farinha destes bichos, como barritas de cereais, massas, batidos ou biscoitos. Na Ásia, há milhares de anos que este tipo de alimentação é absolutamente normal, tanto que se estima que 28% da população mundial ingira, regularmente, insectos, que é como quem diz dois mil milhões de pessoas.

Pessoalmente, apesar de já ter tido várias oportunidades de experimentar, quer na China, quer no Myanmmar, confesso que nunca tive coragem. Não sei se pelas asas, se pelo aspecto viscoso, o facto é que, só de pensar em trincar uma barata ou um grilo, começo a ficar com náuseas. Nesta última viagem, ao perceber o meu interesse, uma senhora birmanesa agarrou num insecto e quase mo enfiou pela boca abaixo. Escusado será dizer, que quase “paniquei” (como dizia a outra), e fugi a sete pés, tendo deixado a plateia de passantes perdida de riso.

Seja como for, tenho a plena consciência de que este é o futuro alimentar do nosso planeta, e já há portugueses a aderir. A Portugal Bugs, loja online que se dedica à produção de alimentos com insectos, está quase a entrar no mercado, e a Glood já vende cerca de setenta unidades  por mês. Caso queiram experimentar, aqui ficam as sugestões da Chef Patrícia Borges, professora de cozinha na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Leiria, que tem testado receitas com larvas e gafanhotos. Eu ainda não estou preparada, mas deixo o convite, e peço aos mais corajosos para se acusarem: São realmente capazes de comer insectos? 

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Transmitir Amor através da comida http://lobonaporta.pt/transmitir-amor-atraves-da-comida/ http://lobonaporta.pt/transmitir-amor-atraves-da-comida/#respond Sat, 07 Jul 2018 07:49:32 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=4186 Cozinhar pode, e deve ser um acto de amor. Se fizermos um esforço de memória, quantos de nós, ao inicio de uma relação, se esmeravam, na hora de preparar uma refeição para a casa metade, num gesto que acabou por se desvanecer com o passar dos anos? Afinal, a rotina é uma armadilha cínica, e silenciosa. Pessoalmente, tento que, cá em casa, apesar da correria da vida moderna, todos os dias sejam especiais. Normalmente, é ao Domingo que planeio o menu da semana, e que costumo fazer a lista das refeições, e das compras do supermercado. Naturalmente que nem todas são feitas a partir de ingredientes caros, como lombo de vaca ou marisco, ou demoram 343434 horas a preparar.

Contudo, há, regularmente, um pequeno mimo e um gesto de afecto implícito em todas elas, nomeadamente através da inclusão de alguns dos pratos preferidos do meu Amor, ou na preparação de uma sobremesa. E, quando tenho algum tempo disponível, aventuro-me em receitas mais elaboradas, que cozinho aleatoriamente sem ele estar à espera. Depois, existem as ocasiões especiais, que tento, do ponto de vista culinário, não deixar que passem em branco, ao apostar em pratos diferentes e mais elaborados. Apesar de nem sempre ficarem perfeitos, a mensagem implícita (Amo-te), acaba por ser transmitida, que é o que mais importa.

No entanto, não é só nas relações a dois que a comida é importante, na hora de transmitirmos apreço pelos que nos são mais próximos. Ao convidarmos amigos, e demais familiares, para nossa casa, investimos tempo, e dinheiro, em compras de supermercado, e acabamos por gastar horas, e horas, entre tachos e panelas. Esta, é uma forma muito clara de mostrarmos o quanto são importantes para nós, e; quer queiramos, quer não, no momento da refeição, o ar de satisfação dos convidados, acaba por ser uma dupla recompensa.

A comida é, também, uma forma de criar memórias afectivamente gratificantes. Por exemplo, quantas vezes nos lembramos de um entre querido que já partiu, por gostar de um alimento em concreto, ou fazer, como ninguém, esta ou aquela receita? Acontece-me praticamente todos os dias, com a minha querida avó.

Uma boa refeição une famílias, cativa os mais pequenos, junta, à mesa, amigos com que não estávamos há meses. Acaba por ser um momento em que as pessoas têm realmente tempo, e disponibilidade, para se ouvirem umas às outras (caso deixem os telemóveis na mala). O acto de cozinhar é das mais intensas formas que conheço para dizer: “Amo-te”, “Gosto de ti”, “Aprecio a tua companhia”, “Ainda bem que vieste”, sem que haja, sequer, necessidade de contacto físico. Por isso, 5.75, não deixem que a vida vos passe ao lado, e que os dias sejam todos iguais. Cozinhem para quem vos é mais próximo, e, se não o gostarem de o fazer, passem no take away do Pingo Doce. O que conta é a intenção. Palavra de #lobo. 

Crédito da Imagem: Food 52. 

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Comer Pato em Pequim http://lobonaporta.pt/comer-pato-em-pequim/ http://lobonaporta.pt/comer-pato-em-pequim/#comments Fri, 15 Jun 2018 10:33:17 +0000 http://lobonaporta.pt/?p=4007 Caros 5.75 leitores, ele há coisas do diabo. Faz hoje, precisamente, oito anos, que estava a comer, com o meu irmão, Pato em Pequim, e, curiosamente, tinha começado o mundial de futebol. Como se não bastasse, falava, ainda à pouco, com o meu primo R. que, por coincidência, também está na China, a almoçar, aleatoriamente, ao lado do Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto. Enfim, que coisa estranha. Voltando ao tema do nosso post, posso dizer-vos, que foi uma das melhores refeições da minha vida. Cozinhado, em terras do Oriente, pelo menos, desde do século XIV, para a mesa do Imperador, é confeccionado a partir de aves criadas, durante sessenta e cinco dias, especialmente para o efeito, cujo peso não deve ultrapassar os dois quilos e meio. Quando bem preparado, demora, ao todo, mais de vinte e quatro horas a ser cozinhado, e a cor acastanhada advém do molho feito à base de mel, com que é lacado.

Acompanhado por crepes, molho doce de feijão, rebentos de bambu, palitos de pepino, e, por vezes, outros vegetais, como nabo ou cenoura, o pato deve ser assado, no mínimo, durante uma hora, e é essencial que o pincelem constantemente, para que a pele fique tostada e crocante, e a carne tenra. Ditam os conceitos de frescura chineses que o corte seja feito, pelo cozinheiro, à frente dos comensais, e que a ave incluía a cabeça. 

À bom ocidental, pedimos uma dose para os dois, sem a consciência de que viria um pato inteiro para a mesa, o que nos obrigou a trazer as sobras em caixinhas, ou em taipau, como dizem os chineses. A textura sublime da carne, entrecortada pelo estaladiço da pele, é qualquer coisa do outro mundo, meus 5.75 leitores. Se forem a Pequim, não podem deixar de experimentar esta divinal iguaria, mas escolham bem o restaurante, para se certificarem de que comem o verdadeiro. Em 2010 foi muito barato. Pedimos várias entradas e sobremesas, e não me recordo de termos pago mais de dez ou doze euros pela refeição. A China é sem dúvida, um país maravilhoso, quer pela beleza das paisagens e dos monumentos, quer pela experiência gastronómica. Se tiverem oportunidade, rumem a Oriente, porque vão ficar siderados. Palavra de #lobo. 

PS- Repararam na classe dos telemóveis? 

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